Perfil de gestantes participantes de rodas de conversa sobre o plano de parto [Profile of pregnant women participants in conversation circles about the birth plan]

Stefani Gomes da Silva, Elisa Lima e Silva, Kleyde Ventura de Souza, Débora Cecília Chaves de Oliveira

Resumo


Introdução: propõem-se um estudo do perfil sociodemográfico de mulheres participantes de roda de conversa sobre o uso do instrumento plano de parto, ressaltando-se a necessidade de mudança no modelo assistencial, contribuindo assim para o fortalecimento da autonomia e dos direitos reprodutivos das mulheres. Objetivo: descrever características sociodemográficas e identificar as informações precedentes sobre o plano de parto das gestantes atendidas em unidades básicas de saúde (UBS), no município de Belo Horizonte/MG. Metodologia: estudo quantitativo descritivo, tendo como instrumento de coleta um questionário estruturado. Fizeram parte do estudo 106 gestantes em acompanhamento pré-natal, no período de março a novembro de 2014. Resultados: houve predominância de gestantes com idade entre 20 e 24 anos, 31%; com o ensino médio completo, 41%, cor da pele: parda, 56%. Relataram ter companheiro fixo, 94%. Apresentavam ocupação remunerada, 56%; 39% afirmaram ter renda de 1 a 2 salários mínimos. Embora todas estivessem realizando pré-natal e na caderneta de pré-natal da Secretaria Municipal de Saúde de Belo Horizonte (SMSA-BH) constar um plano de parto, 74% não receberam informações sobre plano de parto. Conclusão: profissionais de saúde envolvidos na assistência à gestante precisam proporcionar espaços para a discussão do plano de parto, facilitando a comunicação entre profissionais e gestantes, contribuindo para o fortalecimento da autonomia e tomada de decisão no processo de parto e nascimento. Acredita-se que o conhecimento do contexto de vida dessas gestantes e da prática realizada pelos profissionais auxilia no direcionamento de uma assistência específica e permitir traçar ações que atendam ao perfil dessa clientela.

ABSTRACT – Introduction: we propose a sociodemographic profile of the study wheel of female participants talk about the use of the instrument birth plan, highlighting the need for change in the care model, thus contributing to the strengthening of the autonomy and reproductive rights of women. Objective: to describe the sociodemographic characteristics and identify the previous information about the birth plan of pregnant women attending Basic Health Units (UBS) in the city of Belo Horizonte / MG. Method: A descriptive quantitative study, whose collection instrument a structured questionnaire. Participants were 106 pregnant women in prenatal care, from March to November 2014. Results: There was a predominance of pregnant women aged 20 to 24, 31%; with completed secondary education, 41%, skin color: brown, 56%. They reported having a steady partner, 94%. They had paid employment, 56%; 39% reported income 1-2 times the minimum wage. Although all were performing prenatal and antenatal book the Municipal Department of Health of Belo Horizonte (SMSA-BH) contain a birth plan, 74% did not receive birth plan information. Conclusion: Health professionals involved in prenatal care need to provide space for the birth plan discussion, facilitating communication between professionals and pregnant women, contributing to the strengthening of autonomy and decision-making in the labor and birth process. It is believed that the knowledge of the context of life of these women and the practice carried out by professionals assists in targeting specific assistance and allow trace actions that meet the profile of this clientele.


Palavras-chave


roda de conversa

Texto completo:

PDF

Referências


Souza TG et al. A humanização do nascimento: percepção dos profissionais de saúde que atuam na atenção ao parto. Rev Gaúcha Enferm, Porto Alegre. 2011; 32(3):479-86.

Brasil. Ministério da Saúde. Humanização do parto e do nascimento / Ministério da Saúde. Universidade Estadual do Ceará. – Brasília: Ministério da Saúde, 2014. 465 p. : il. – (Cadernos HumanizaSUS ; v. 4)

Zampieri MFM, Erdmann AL. Cuidado humanizado no pré-natal: um olhar para além das divergências e convergências. Rev Bras Saúde Matern Infant, Recife. 2010; 10 (3): 359-367.

Vogt SE et al. Características da assistência ao trabalho de parto e parto em três modelos de atenção no SUS, no município de Belo Horizonte, Minas Gerais. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2011; 27(9):1789-1800.

Malheiros PA et al. Parto e nascimento: saberes e práticas humanizadas. Texto Contexto Enferm. Florianópolis. 2012; 21(2): 329-37.

Viegas APB et al. Fatores que influenciam o acesso aos serviços de saúde na visão de profissionais e usuários de uma unidade básica de referência. Saúde Soc, São Paulo. 2015; v.24, n.1, p.100-112.

Zampieri MFM. Processo educativo com gestantes e casais grávidos: possibilidade para transformação e reflexão da realidade. Texto Contexto Enferm, Florianópolis. 2010; 19(4): 719-27.

Leal MC, Theme-Filha MM, Moura EC, Cecatti JG, Santos LM. Atenção ao pré-natal e parto em mulheres usuárias do sistema público de saúde residentes na Amazônia Legal e no Nordeste, Brasil 2010. Rev Bras Saúde Matern Infant, Recife. 2015; 15 (1): 91-104.

Lei nº 10.843, de 18 de setembro de 2015. Disponível em: http://www.sofiafeldman.org.br/wp-content/uploads/2015/09/LEI-N%C2%BA-10.843.pdf http://www.sofiafeldman.org.br/wp-content/uploads/2015/09/LEI-N%C2%BA-10.843.pdf. Acesso em: 15 out 2015.

Duarte SJH et al. Ações de enfermagem na educação em saúde no pré-natal: relato de experiência de um projeto de extensão da universidade federal do Mato Grosso. Rev Enferm Cent O Min. 2011; 1(2):277-282.

Amaral, MA. Entre o desejo e o medo: oficinas de trabalho como espaço de reflexão e empoderamento de adolescentes. [Tese]. São Paulo (SP): Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo, 2005.

Rodrigues EM, Nascimento RG, Araújo A. Protocolo na assistência pré-natal: ações, facilidades e dificuldades dos enfermeiros da Equipe de Saúde da Família. Rev Esc Enferm, USP. 2011; 45 (5):1041-1047.

Pereira ALF, Bento AD. Autonomia no parto normal na perspectiva das mulheres atendidas na casa de parto. Rev Rene, Fortaleza. 2011; 12(3):471-7.

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. Atenção hospitalar / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas e Estratégicas. – Brasília: Ministério da Saúde, 2011. 268 p., il. – (Série B. Textos Básicos de Saúde) (Cadernos Humaniza SUS ; v. 3)

Oliveira DC et al. Estrutura organizacional da atenção pós-parto na Estratégia Saúde da Família. Esc Anna Nery (impr.). 2013; 17 (3):446 – 454.

Sodré TM, Merighi MAB. Escolha informada no parto: um pensar para o cuidado centrado nas necessidades da mulher. Cienc Cuid Saúde. 2012; 11(suplem.):115-120.

Gil AC. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas. 2008.

Caetano LC, Netto L, Manduca JNL. Gravidez Depois Dos 35 Anos: Uma Revisão Sistemáticada Literatura. Rev Min Enferm. 2011; 15(4): 579-587.

Almeida AHV et at. Baixo peso ao nascer em adolescentes e adultas jovens na Região Nordeste do Brasil. Rev Bras Saúde Matern Infant, Recife. 2014; 14 (3): 279-286.

Sacramento AN, Nascimento ER. Racismo e saúde: representações sociais de mulheres e profissionais sobre o quesito cor/raça. Rev Esc Enferm, USP. 2011; 45(5):1142-9.

Xavier RB, Jannotti CB, Silva KS, Martins AC. Risco reprodutivo e renda familiar: análise do perfil de gestantes. Ciência & Saúde Coletiva. 2013; 18(4):1161-1171.

d’Orsi, E et al. Desigualdades sociais e satisfação das mulheres com o atendimento ao parto no Brasil: estudo nacional de base hospitalar. Cad Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2014; 30 Sup: S154-S168.

Diniz CSG et al. Implementação da presença de acompanhantes durante a internação para o parto: dados da pesquisa nacional Nascer no Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro. 2014; 30 Sup:S140-S153.

Suárez-Córtes M et al. Use and influence of Delivery and Birth Plans in the humanizing delivery process. Rev. Latino-Am. Enfermagem, Ribeirão Preto. 2015; 23(3):520-26.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.