Prevalência de Rastreamento do Estreptococos do Grupo B: Implicações Maternas e Neonatais [Prevalence of screening of Group B Streptococcus: maternal and neonatal implications]

Rafael Talison de Medeiros, Cynthia Márcia Romano Faria Walty, Carla Lima Ribeiro

Resumo


Introdução: o Estreptococo do Grupo B está diretamente relacionado às altas taxas de morbidade e mortalidade, principalmente em RN, sendo considerado o agente bacteriano mais frequente de infecção perinatal. Objetivos: verificar a prevalência da realização do rastreamento de Estreptococos do grupo B em gestantes de uma maternidade de Belo Horizonte, identificar a frequência de positividade do teste, bem como o desfecho nos recém- nascidos e puérperas com resultado positivo. Método: estudo transversal retrospectivo cuja amostra foi de 1.100 prontuários de mulheres que evoluíram para parto vaginal ou cirúrgico a partir de 37 semanas de gestação, entre julho e setembro de 2014. Os dados foram coletados entre março e abril de 2015 e analisados utilizando o software Epi Info 3.5.1. Resultados: evidenciou-se que 78% das mulheres não realizaram a cultura para Estreptococos do Grupo B, ressaltando a importância de um pré-natal de qualidade, com profissionais de saúde capacitados a acolher as mulheres e seus familiares garantindo-lhes informações referentes a todo o ciclo gravídico puerperal. Conclusão: a baixa frequência de intercorrências maternas e neonatais entre as gestantes com resultado positivo para cultura de EGB, comprova a eficácia da antibioticoprofilaxia intraparto entre as mulheres colonizadas, conforme as recomendações da CDC e ACOG. Recomenda-se a elaboração de novos estudos sobre essa temática considerando o significativo impacto da colonização por EGB na saúde das mulheres e seus RN.


ABSTRACT - Introduction: Group B streptococcus is directly related to high rates of morbidity and mortality, especially in infants, is considered the most common bacterial agent of perinatal infection. Objectives: to assess the prevalence of realization of Group B Streptococci screening in pregnant women in a maternity at Belo Horizonte, to identify the test positivity rate and the outcome in newborns and mothers with positive results. Method: a retrospective cross-sectional study was performed with a sample of 1,100 records of women who had vaginal delivery or caesarian section from 37 weeks of pregnancy, between July and September 2014. Data were collected between March and April 2015 and analyzed using the Epi info 3.5.1 software. Results: 78% of women did not perform culture for Streptococcus Group B, emphasizing the importance of prenatal quality health professionals trained to welcome women and their families providing them information for all the pregnancy and puerperal cycle. Conclusion: The low frequency of maternal and neonatal complications among pregnant women, who had positive culture for GBS, evidences the efficacy of intrapartum antibiotic prophylaxis among colonized women, according to the recommendations of CDC and ACOG. It is recommended the development of new studies on this subject considering the significant impact of GBS colonization in women’s health and their newborns.


Palavras-chave


Streptococcusagalactiae; Trabalho de parto; Cuidado pré-natal; Antibioticoprofilaxia

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