Preparo paterno para serem acompanhantes no trabalho de parto [Preparing fathers to be companions during childbirth]

Ana Paula Assunção Moreira, Isa Maria Nunes, Mariza Silva Almeida, Ane Caroline da Cruz Santos

Resumo


Objetivo: analisar como os pais descrevem o seu preparo para participar como acompanhantes da mulher durante o processo parturitivo. Método: estudo qualitativo de abordagem descritiva. Participaram 15 homens que acompanharam suas parceiras durante o trabalho de parto e o parto e que estavam presentes no alojamento conjunto da instituição durante o período da coleta de dados. Foram realizadas entrevistas individuais, utilizando um roteiro semiestruturado. As respostas foram organizadas e analisadas segundo o método da análise de conteúdo de Laurence Bardin. Resultados: as categorias empíricas construídas foram: preparo e despreparo para ser um acompanhante e o apoio recebido da equipe. Os achados revelam que os homens estão se inserindo cada vez mais no contexto do atendimento durante o trabalho de parto e parto e que as equipes de saúde e os serviços vêm se organizando para recebê-los e prepará-los. Entretanto, é perceptível que ainda falta preparação e informação para que os homens possam vivenciar de forma mais efetiva esse contexto. Conclusão: o presente estudo mostra a importância da enfermeira obstétrica na preparação dos pais acompanhantes para que assumam cada vez mais uma participação ativa na experiência do parto e nascimento.

ABSTRACT – Objective: to analyze how fathers describe their preparation to participate as a woman’s companions during the birth process. Method: This is a descriptive, qualitative study. Participants were 15 men accompanying their partners during labor and delivery, who were present in the rooming-in ward during the period of data collection. Individual semi-structured interviews were conducted. The data were organized and analyzed according to the Bardin’s content analysis method. Results: Two empirical categories emerged prepared and unprepared to be a companion and support received from the staff. The findings reveal that men are entering increasingly in the context of care during labor and childbirth and that health teams and services have been organizing to meet them and prepare them. However, it is noticeable that still lack preparation and information so that people can experience more effectively this context. Conclusion: this study shows the importance of obstetrical nurses in the preparation of the accompanying fathers to take an increasingly active role in the childbirth experience.


Palavras-chave


Parto Humanizado; Humanização da Assistência; Paternidade; Enfermagem Obstétrica

Texto completo:

PDF

Referências


Santos LM, Matos KKC, Carneiro CS, Santos SS, Silva MDS. O acompanhante e o parto: uma percepção da equipe de saúde. ABENFO-MG, 2010

Teles LMR, Pitombeira HCS, Oliveira AS, Freitas LV, Moura ERF, Damasceno AKC. Parto com acompanhante e sem acompanhante: a opinião das puérperas. Cogitare Enferm. 2010 Out/Dez.

Ministério da Saúde (BR). Portaria nº 1.459 de 24 de junho de 2011. Institui, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), a Rede Cegonha. Brasília, 2011.

Brasil. Lei n. 11.108. Altera a Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, para garantir às parturientes o direito à presença de acompanhante durante o trabalho de parto, parto e pós-parto imediato, no âmbito do Sistema Único de Saúde – SUS. Diário Oficial da União, Brasília (DF); 2005 Abr 8.

Longo CSM, Andraus LMS, Barbosa MA. Participação do acompanhante na humanização do parto e sua relação com a equipe se saúde. Rev. Eletr. Enf. [Internet]. 2010.

Silva RC, Soares MC, Jardim, VMR, et al. O discurso e a prática do parto humanizado de adolescentes. Texto contexto - enferm.[online]. 2013, vol.22, n.3, pp. 629-636.

Alexandre AMC, Martins M. A vivência do pai em relação ao trabalho de parto e parto. Cogitare Enferm. 2009 Abr/Jun; 14(2):324-31.

Storti JPL. O papel do acompanhante no trabalho de parto e parto: expectativas e vivências do casal. Ribeirão Preto, 2004.

Dias MAB, Domingues RMSM. Desafios na implantação de uma política de humanização da assistência hospitalar ao parto. Ciência e Saúde Coletiva, 2005.

Busanello J. As práticas humanizadas no atendimento ao parto de adolescentes: análise do trabalho desenvolvido em um Hospital universitário do extremo sul do Brasil. Rio Grande, 2010.

Alves M, Bruggmann O, Bampi R, Godinho V.Apoio à parturiente por acompanhante de sua escolha em uma maternidadeescola. Ver. Pesqui. Cuid. Fundam; jul-set 2013.

Freitas WMF, Coelho EAC, Silva ATMC. Sentir-se pai: a vivência masculina sob o olhar de gênero. Cad. Saúde Pública [online]. 2007, vol.23, n.1, pp. 137-145.

Carvalho JBL, Brito RS, Araújo ACPF, Souza NL. Sentimentos vivenciados pelo pai diante do nascimento do filho. Rev. Rene. Fortaleza, v. 10, n. 3, p. 125-131, jul./set.2009.

Figueiredo MGAV, Marques AC. Pré-Natal: experiências vivenciadas pelo pai. Cogitare Enferm. 2011 Out/Dez; 16(4):708-13.

Cavalcante MAA, Tsunechiro MA. O homem e seus motivos para vir às consultas pré-natal como acompanhante de sua mulher. Teresina, Piauí, 2009.

Bardin L. Análise de Conteúdo. Lisboa, Edições 70, 2009.

Ministério da Saúde (BR). Resolução 466 de 12 de dezembro de 2012. Referente à pesquisa envolvendo seres humanos. Disponível em: http://conselho.saude.gov.br/resolucoes/2012/Reso466.pdf. Acesso em 05 fev 2014.

Mabuchi AS, Fustinoni SM. O significado dado pelo profissional de saúde para trabalho de parto e parto humanizado. Acta paul. enferm. [online]. 2008, vol.21, n.3, pp. 420-426. ISSN 1982-0194.

Motta CCL, Crepaldi MA. O pai no parto e o apoio emocional: a perspectiva da parturiente. Paidéia, 2005, 15(30), 105-118.

Nakano AMS, Silva LA, Beleza ACS, Stefanello J, Gomes FA. O suporte durante o processo de parturição: a visão do acompanhante. Acta Paul Enferm 2007.


Apontamentos

  • Não há apontamentos.